quarta-feira, 30 de abril de 2014

  A dança da lua

 A noite estava límpida e era a noite do baile lunar  
 A lua, moça jovem e decidida
 Vestiu-se a rigor com um vestido dourado
 Mantado pelo manto de seda avermelha
Debruado a cetim amarelado
Envolta nesse vestido
e em seus longos cabelos encaracolados da cor do oiro
 A lua estava linda! Muito linda!
Iria surpreender todas as estrelas, na certa
Saiu da sua casa cheia, e cheia de alegria 
Subiu para a charrete com ajuda do quarto crescente  
Esticou a corda com suavidade e os elegantes cavalos vestidos a rigor
Soltaram-se numa caminhada ritmada pelas pedras da calçada
 Em direção ao salão do universal, onde o baile tinha lugar 
Chegou!
Deslumbrantemente naquele vestido de seda fina
 E descalça desceu elegantemente da charrete
 Pela mão do seu outro grande amigo luar  
Seu grande amigo e ali seu par
Enquanto o quarto minguante se vestia, na sua maior lentidão
Finalmente apareceu!
Envergando o seu fraque em forma de meia-lua
Delicadamente, tomou-lhe a mão e levou-a para o centro do salão
 e começou  a  dança romântica de movimentos redondos
Uma de Johann Strauss e como se fossem penas,
Voaram e correram o salão do universo sem parar
Com a felicidade máxima de lua cheia de juventude e alegria
 Estava linda e feliz a moça Lua
 Naquela noite a Lua era de abril, da Liberdade  

18/04/2014
 L. Vieira


terça-feira, 11 de março de 2014

As papoilas

Muitas papoilas crescem agora espontaneamente nos passeios estreitos de todas as ruas perto da minha casa.
São vermelhas e fazem-se acompanhar de imponentes malmequeres e vigiadas pelas viçosas margaridas que floriram nos quintais, querendo segredar a todos que por ali passam que a liberdade está a chegar.
As papoilas dizem coisas que mais ninguém nos diz.
Com o seu redondinho olhar dos seus negros olhos captam os mistérios da vida a crescer.
São frágeis as papoilas, pelo menos, parece quando lhe tocamos e o vento as empurra para lá e para cá, numa dança de ventre e parece nos que vão cair.
As papoilas são valentes e destemidas
São orgulhosas da sua frescura e ciosas da sua liberdade
Desaparecem rapidamente mas deixam a saudade da sua vermelhidão que embelezam a minha e as vossas ruas mesmo.
As papoilas são para mim um símbolo de liberdade que se unem em grandes grupos para não se deixarem tombar e quando se tombam umas, outras se erguem, das sementes que deixaram cair de si para teimosamente continuarem a lutar pela conquistada liberdade.
As papoilas são a força da natureza a sorrir, os baloiços da esperança e da razão determinada que faz as crianças correr para elas, para as apanhar para não perderam a paixão da unidade e da liberdade!
A liberdade nasce e cresce espontaneamente como uma papoila!
Sejamos como as papoilas!

Lúcia Vieira
11/03/2014

quinta-feira, 6 de março de 2014

Estás a chegar ó primavera?

Com as pétalas de malmequeres
Vou semear a primavera!
Vou ouvir as papoilas chegar 
Vou por elas e com eles
Vou -me deixar levar!
Vou- me encantar, vou-me perfumar
Vou ficar inebriada sem fugir do meu lugar
Pelas suas sépalas e caules vou viajar
Vou fazer um breve sono
Nelas e neles vou -me deixar perder
Para os malmequeres nas primaveras
Voltar a semear e ouvir as papoilas a chegar
Vou descalça!
Vou com pressa!
Vou apanhar malmequeres!
Está a chegar a primavera!
Aqui, ao cantinho do meu quintal!
Lúcia Vieira
23/02/2014

domingo, 2 de março de 2014

Para uma amiga vitoriosa e corajosa

Há já cinco anos !
O que importa ?
O que importa não é saber que tempo já passou
O que importa não é saber em que momento da vida estás
O que importa é teres coragem da nova vida enfrentares
O que importa é que aprendeste a viver de forma diferente
O que importa é continuares a ser feliz
O que importa é mesmo reverter
O que importa é teres revertido
O que importa é não desistir de nada
O que importa é ser firme e perseverante na fé e na força que Deus te dá
O que importa é não perderes a coragem nem a determinação
O que importa é teres a mesma alegria que sempre tiveste
O que importa é mesmo ter-se  um dia de cada vez
O que importa é teres sempre tempo mesmo que para recomeçar
O que importa é fazeres uma vida tranquila
O que importa é renovares diariamente,o acreditar
na esperança e na fé sem nunca a perderes do sentido do teu olhar
O que importa é mesmo acreditares em ti ,nos amigos e familia
O que importa é pensares com clarividencia e lucidez
O que importa é poderes encontrar os teus novos prazeres
O que importa são mesmo as coisas simples da vida
e que estão perto de ti e que tu vês
O que importa é teres sempre a capacidade para bordar
pintar,escrever, ler, ensinar ou mesmo mais nada
senão mesmo,simplesmente, só pensar e contemplar
O que importa é continuares a ser capaz de dominar o negativo
O que importa é teres todos os dias a alegria de pensares só o positivo
O que importa é teres aquela energia para te  abraçares a ti
mesma ou qualquer outra coisa que te dê interesse ou gostes
O que importa é continuares a fazer todas as coisas
que te interessem, com entusiasmo,prazer e gosto
O que importa não é o muito ou o pouco,
O que importa é às vezes o quase nada 
O que importa é que continuar sempre a olhar
a vida como um novo desafio a sorrir e sem tristeza
O que importa é começar sempre o novo dia com esperança e e alegria
O que importa é um dia de cada vez sem pressa e sem ansiedade
O importa é teres sempre aquela forte garra da leoa
que há dentro de ti e te dá a força merecida para viver !
Viver sempre feliz!
Isto é o que importa para ti !
Isto é o que para nós importa, ver sempre em Ti

Lúcia Vieira

20/02/2014


quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Memórias

Há em Chaves mui nobres pessoas
pessoas do ontem, do hoje e do  agora
Que carregam consigo a história
dos defeitos que alguns lhe puseram
porque lhes falta a memória
dos bons feitos dos de antigamente

e julgados ingloriamente …
15/01/2014
 L. V.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

O Natal já brilha para alguns...e outros não!

O Natal já brilha para alguns… e outros não! O Natal já brilha para alguns E para esses as luzes já se acendem Nas suas casas ricas, quentes e confortáveis Cheias de tudo e menos de nada E para outros o Natal ainda não brilha e não sei se brilhará ,um dia, mais ! A alegria ainda não se vê, nem ao longe da estrada na curva ao pé do túnel Os bolsos das gentes estão cheios de nada, mendigos, vazios e rotos Os sonhos andam perdidos e esvoaçados pela incúria dos travessos incompetentes As crianças já dão os primeiros sinais de chamamento De que gostam e amam o brilho do Natal da fantasia e sonham com os presentes que as renas lhe trazem a pedido do Pai Natal os doces, bonecas , comboios rápidos, consolas iphones e afins são os seus preferidos e os pais de alguns escondem –se no silêncio e na sua amarga melancólica Amargurados e tristes dizem ” não “ ao Natal desejado pelos seus filhos E contra a sua vontade, contra seu desejo contra a compreensão e tolerância Eles não compreendem o” não “ e choram, choram, choram com razão e as casas estão e continuam frias e as luzes ainda não se acendem estão e estarão apagadas e aguardam o toque mágico no interruptor do Natal que tarda em não vir , e que há- de vir um dia o Natal de alguns para nós e os nossos filhos continuarão sempre a esperar de nós o sorriso, e sorrisos de Natal e nós só temos a esperança adiada de não o poder fazer brilhar o Natal, como soía Mas um dia talvez ! Ainda o Natal brilhe para todos nós! 19/11/2013 Lúcia Vieira

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Não há despedidas ...há outros encontros


Reconquistar o tempo…

E agora?

A minha vida mudou? Ou vai mudar?

Agora vou ver o tempo passar

da minha janela

ou de um qualquer outro lugar

Agora vou ver tudo numa animação

e combinação natural

Vou os anos passar num suave viver

Agora vou sem pressa passear

e sem a pressa apressada

Muitos segredos dizer

Visitar-vos de vez em quando

Sempre que me quiserdes ouvir

e ainda falar do stress do trabalho

no anacrónico calendário

da sinfonia das reuniões infindas

agora vou dar a minha

gargalhada despreocupada

e ouvir com toda atenção

a vossa voz amiga

nos enternecimentos dos regaços

e da arena vossa alegre filosofia

a dos vossos suspiros e murmúrios

os gritos dos miúdos vou ouvir

no areal do nosso mar, com o cantar das gaivotas,

Minhas principais conselheiras

Testemunhas dos meus segredos

e ter sempre como companhia secreta

a vossa amizade sempre a me ouvirem

a cantarolar a canção do ensinar da poesia

do segredo do meu tempo !

Tempo de reconquistar e não perder a amizade de vós!

Marcaremos encontros diferentes

A reconquistar o tempo!

Serei sempre a vossa amiga

Lúcia Vieira!

9/11/2012